Movimento “STOP DSM” (como critério único de diagnóstico clínico)

O CEPP aproveita o espaço virtual aberto por seu blog para tornar público seu pleno apoio ao Movimento Internacional denominado STOP DSM que luta pelo fim dos Manuais estatísticos e descritivos como único critério de diagnóstico clínico. O apoio do CEPP provém de sua desaprovação dos modelos diagnósticos atuais que tornam-se cada vez  mais desorientados uma vez que pretendem atender a qualquer custo a todas as demandas de mediagnosticalização, para empregar um neologismo que condensa os verbos diagnosticar e medicalizar. Na busca de inventar métodos de mediagnosticalização, várias abordagens psicológicas e psiquiátricas acabam se desorientando não apenas por carecer de uma teoria consistente sobre a estrutura do sujeito, mas também por não encontrarem um encaminhamento dos resultados que não seja o furor pela normatização do ser.

Muitas vezes, os diagnósticos, principalmente os construídos a partir dos manuais mais divulgados, como o DSM e a CID, são usados apenas como uma tentativa de resgatar o momento mítico pré Babel, onde todos falavam a mesma língua sem dar espaço para o mal entendido. O ganho nesse caso não é revertido para o tratamento, e sim, como aponta Quinet [1], para a comunicação dos fenômenos entre colegas. Ganha-se, supostamente, em comunicação e conhecimento, mas perde-se em saber e tratamento. Foi isso o que fez os promotores do DSM III dizerem, nos anos 80, que seu manual, por ultrapassar a falta de acordo entre os teóricos do sofrimento psíquico, representava uma revolução científica. Mas a pergunta feita pelo STOP DSM [2], movimento político internacional que defende uma psicopatologia clínica que barre o futuro DSM V como único critério de diagnóstico, é como pode haver uma revolução científica, sem teoria, o que é o mesmo que dizer, sem ciência.

Preferir um instrumento avaliativo que almeje o máximo de descrição (um único paciente pode receber vários nomes e números diagnósticos) e um mínimo de margem de erro (no fim todos se enquadram em algum número), é optar por uma clínica em que “toda e qualquer hipótese etiopatogênica é excluída” (QUINET, 2009), o que provoca o desaparecimento do próprio conceito de doença, uma vez que esta não deixa de estar vinculada a um processo cujo funcionamento, causa e função se espera conhecer um dia.

É partindo dessa posição que o CEPP incentiva seus membros, colaboradores e colegas a se informarem e se aliarem politicamente em torno da questão levantada pelo STOP DSM, sobre o qual maiores informações podem ser adquiridas através do endereço eletrônico: http://stopdsm.blogspot.com/.

Atenciosamente,

Humberto Moacir de Oliveira

Coordenador do CEPP


[1] QUINET, Antônio. Psicose e laço social: esquizofrenia, paranóia e melancolia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

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