Seminário: Metáfora Paterna, a função da lei do pai no Complexo de Édipo

 

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Agenda Segundo Semestre 2017

Olá pessoal, é com muita satisfação que o CEPP retoma sua agenda no segundo semestre de 2017.

Algumas datas de Eventos e Seminários serão divulgadas ao longo do semestre. Mas desde já contamos com a parceria, divulgação e participação dos Psicanalistas e interessados em nosso Centro de Estudo e Pesquisa.

Nesse semestre o CEPP estará promovendo ou participando das seguintes atividades:

Agosto:
Prosseguimento do GRUPO DE ESTUDOS “CLÍNICA DO SOCIAL”- toda terça-feira, interessados procurar Camila Mendonça, FeFa Goulart e Marilia Moreira.

Prosseguimento do GRUPO DE ESTUDOS “INSTITUIÇÕES E VERDADE” – aos sábados de 15 em 15 dias, interessados procurar Marcela Fernanda.

E no dia 25 de Agosto o CEPP estará apoiando o PRÉ CONGRESSO DA ABRAMD (Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas). Evento que contará com a participação de Rubens Adorno, presidente da ABRAMD. Interessados procurar Adriana Condessa.

Setembro:
02 de Setembro inicia o SEMINÁRIO: METÁFORA PATERNA, A FUNÇÃO DA LEI DO PAI NO COMPLEXO DE ÉDIPO com as psicanalistas Cássia Túlio, Juliana Correa Andrade e Simone Welling. Em breve divulgaremos mais notícias sobre as datas. Os interessados devem entrar em contato com as minitrantes do curso.

Estamos também fechando as datas e a produção para um II CAFÉ EM SÉRIE com um debate sobre a série “CARA GENTE BRANCA” Mais informações em breve, mas os interessados já podem começar a assistir para participar conosco do debate (lembrando que nos casos de série nós não assistimos no local, encontramos apenas para o debate).

Outubro:
Em outubro daremos sequência ao Seminário e aos Grupos de Estudo e estaremos também preparando a nossa VII JORNADA DE PSICANÁLISE. Mais informações serão divulgadas nas redes em breve. Possivelmente tentaremos fazer algum evento também como prévia da Jornada.

Novembro:
Em novembro será data do nossa VII JORNADA DE PSICANÁLISE. Enviaremos mais informações em breve.

Outras novidades vamos divulgando pelas redes sociais.
Desejamos a todos um semestre de muito estudo, descobertas e atravessamentos.

Att.
Humberto M. de Oliveira (Beto Oliveira)
Coordenador do CEPP.

Artigo: “Adolescer na contemporaneidade: uma crise dentro da crise”

PublCapaicado na “Revista Ágora: estudos em teoria psicanalítica – UFRJ” artigo escrito por Beto Oliveira (coordenador do CEPP) em parceria com Bruno Hanke sobre a adolescência. O artigo, intitulado “Adolescer na contemporaneidade: uma crise dentro da crise”, aborda a experiência da puberdade e das séries de respostas que se reúnem em torno dela, buscando identificar as especificidades tanto da puberdade quanto do momento histórico em que vivemos para assim colaborar com a discussão sobre o adolescer na sociedade contemporânea.

Aos interessados, o artigo está disponível no Scielo Volume XX, n. 02, da “Revista Ágora: estudos em teoria psicanalítica”, Rio de Janeiro, mai./ago., 2017.

Link: http://dx.doi.org/10.1590/1809-44142017002001

II JORNADA DO LABORATÓRIO FAMÍLIA, PARENTALIDADE, PARCERIAS SINTOMÁTICAS DA UFMG

O LABTRANS (Laboratório Transdisciplinar: Família, parentalidade, parcerias sintomáticas da UFMG), o Núcleo de Ensino e Pesquisa do Instituto Raul Soares (IRS/FHEMIG) e o Cepp Vale Do Aço (Centro de Estudos e Pesquisa Vale do Aço) apresentam:

II JORNADA DO LABORATÓRIO FAMÍLIA, PARENTALIDADE, PARCERIAS SINTOMÁTICAS DA UFMG

DATA: 09 de JUNHO de 2017
LOCAL: Campus da UFMG – SALA 1012 (FAFICH)
INSCRIÇÕES: Via e-mail: jornadalabtrans@gmail.com
VAGAS LIMITADAS.
OBS: Será fornecido certificado.

ENVIO DE TRABALHOS até o dia 30 de maio para o e-mail marcia.rosa@globo.com. 6.000 caracteres com espaços.
Os trabalhos devem se inserir em um dos três eixos da Jornada.

PROGRAMAÇÃO:
8.00-8.30: ABERTURA
Expositora: Márcia Rosa (Coordenadora do Laboratório Transdisciplinar: família, parentalidade, parcerias sintomáticas)

8.30-10.30: PLENÁRIA PARCERIAS SINTOMÁTICAS
“O que as apresentações de pacientes de Lacan em Sainte-Anne nos ensinaram?”
Expositores: Juliana Meirelles (EBP/IRS-FHEMIG), Saulo Carvalho (UFMG), Marconi Guedes (IRS-FHEMIG), Márcia Rosa (UFMG/EBP), Carlos Luchina (PBH-SMS/LABTRANS),
Debatedor: Francisco Paes Barreto (EBP)

10.30 as 11.30: PLENÁRIA PARENTALIDADE
Expositores: Luciano Lacerda (UFMG) e Hélio Miranda (PUC-MINAS)
Debatedora: Cristina Marcos (PUC-MINAS)

11.30- 12.30: PLENÁRIA FAMÍLIA
Expositores: Humberto de Oliveira (Beto Oliveira – CEPP) e Virginia Souto Maior (UFMG)
Debatedora: Suzana Barroso (EBP/PUC-MINAS)

12.30-13.30: Almoço
13.30-15.00: Conferência “Família, parentalidade e parceiras sintomáticas”
Expositora: Ana Lúcia Lutterbach Holk. Doutora em Psicologia (UFRJ). Psicanalista. A.M.E. Membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise.

Mesas Simultanêas
15.00-16.00:Salas A e B (dois trabalhos, 1 debatedor): FAMÍLIA
16.00-17.00: Salas A e B (dois trabalhos, 1 debatedor): PARENTALIDADE
17.00-18.00: Salas A e B (dois trabalhos, 1 debatedor):PARCERIAS SINTOMÁTICAS

Debatedores das seis mesas: Cássia Túlio (CEPP), Amancio Borges (CEPP), Saulo Carvalho (LABTRANSUFMG), Marconi Guedes (IRS/FHEMIG), Carlos Luchina (PBH/SMS/LABTRANS), Milneia (IRS/FHEMIG)
OBS. Coordenadores de cada uma das salas: a decidir

18.00-18.10: Encerramento

Seminário: “MÃECRIANÇA” – A FORMAÇÃO DO EU E A FUNÇÃO DA MÃE

É com muito prazer que o CEPP retoma sua agenda do primeiro semestre de 2017 com o Seminário ministrado pela psicanalista Cássia Túlio sobre a Formação do Eu e a função da mãe” através da teoria psicanalítica de Freud e Lacan.

As inscrições já estão abertas. Outras informações no folder abaixo ou  através dos e-mails: cassiatulio@uol.com.br ou simone@gtcon.com.br.

Bons estudos!seminario-cassia2

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Roda de Conversa

Fixing the metal heart with a temporary screw.Apresentação de caso clínico e discussão sobre o uso de tecnologias na construção do sujeito.

Apresentação: Chrystian Alvarenga Stocler
Supervisora: Virginia Souto Maior

 

Data: 13/12 (terça-feira)
Horário: 19:00
Local: CEPP Vale do Aço (R. Euclides da Cunha, 62)
Telefone: (31) 3824-2499, de 13h às 19h
VAGAS LIMITADAS

Seminário: A DIREÇÃO DO TRATAMENTO NA PSICANÁLISE

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“Mas você sabe que a pessoa pode encalhar numa palavra e perder anos de vida?” – pergunta Clarice Lispector. “É que as palavras, com essa coisa de se plantarem na nossa vida, nos alimentam e nos matam, são remédio e veneno, e, como os produtos de uma farmácia, são drogas que podem matar ou curar” – responde Affonso Romano de Sant’Anna.

 

 

 

A DIREÇÃO DO TRATAMENTO NA PSICANÁLISE

“Dirige-se o tratamento, não o paciente”. Este dito de Lacan (1958) nos suscita perguntas relacionadas tanto à direção de uma análise (a entrada em análise, as entrevistas preliminares, o diagnóstico diferencial, a posição do analista frente a esta condução) quanto às questões referentes ao percurso e às saídas de análise. São pontos cruciais para nos orientar na condução do tratamento para que este não fique à deriva, desgovernado.

Esta é a proposta deste seminário, trazer para discussão a prática da psicanálise, os fundamentos das “condições de análise” tais como designadas por Freud (1913) em seu artigo “O início do Tratamento”, e que foram tão bem delineadas por Miller (1987) em seu artigo uma “Introdução a um Discurso do Método Analítico”, onde formaliza os princípios da prática psicanalítica.

Um seminário se estabelece a partir de uma pesquisa em curso e não de um saber estabelecido. Em um seminário o que ocorre é a transmissão de uma inquietação que nos coloca a trabalho.

INFORMAÇÕES:

  • Coordenação: Cassia Tulio e Simone Welling
  • Datas e Horário: Sempre aos sábados de 08h às 10h
  • Investimento: Profissionais: três cheques de R$120,00 ou R$350,00 à vista. Estudante: três cheques de R$ 90,00 ou R$250,00 à vista.
  • Certificado: ao menos 75% de frequência no Seminário.

PÚBLICO-ALVO:

  • Profissionais da área da Saúde Mental
  • Estudantes de Psicologia

INSCRIÇÕES:

  • Email: cassiatulio@uol.com.br ou simone@gtcon.com.br
  • Telefones:
    • Falar com Cássia: 3848-1260 ou 98863-1260 (Oi/Whatsapp)
    • Falar com Simone: 98661-1866 (Tim/WhatsApp)

CRONOGRAMA:

1º Encontro – 10/09/2016: A Entrada em Análise

2º Encontro – 24/09/2016: Introdução ao Inconsciente

3º Encontro – 08/10/2016: Retificação Subjetiva

4º Encontro – 22/10/2016: O Diagnóstico Diferencial

5º Encontro – 05/11/2016: A Transferência

6º Encontro – 19/11/2016: Direção do Tratamento na Psicose

7º Encontro – 03/12/2016: Direção do Tratamento na Psicose

ORGANIZAÇÃO:

Centro de Estudo e Pesquisa em Psicanálise  – CEPP

  • Rua Euclides da Cunha, 62 – Cidade Nobre – Ipatinga.

SEMINÁRIO: A DIREÇÃO DO TRATAMENTO NA PSICANÁLISE

Seminário Direção (Simone e Cássia)1

Seminário Direção (Simone e Cássia)2

SEMINÁRIO “AUSTISMOS: UMA DIREÇÃO DE TRATAMENTO”

Zedeon

Artista: Zedeon

Este Seminário tem como objetivo elucidar as questões sobre o autismo na contemporaneidade através da contribuição da psicanálise, com o olhar crítico voltado para a dimensão em que o tema tem alcançado na atualidade. Assim, a proposta do seminário é fazer uma retomada histórica localizando o conceito ao longo da história da psicopatologia infantil e o fazer da clínica psicanalítica.

A clínica psicanalítica com os autistas leva em consideração as soluções singulares escolhidas pelo sujeito para existir, enfatizando seu trabalho sutil de construção.A psicanálise sempre esteve presente no trabalho para com os autistas. Nosso tempo, sustentado pela pressa, tende a aplicar ao tratamento com os autistas os métodos de educação e aprendizagem como meio para sua adaptação ou, adaptá-lo ao meio seria a única saída possível não considerando a subjetividade.

Como linha de raciocínio pretende-se seguir textos do livro: “A batalha do autismo”, Éric Laurent, associando a outros autores, apresentando casos clínicos no decorrer das aulas.  Faremos nesse semestre 07 encontros, aos sábados de 08:00 às 10:00hs na sede do Cepp Rua Euclides da Cunha 62, Cidade Nobre.

CRONOGRAMA:

10/09/2016:  Exibição do documentário: “Outras Vozes”: Ivan Ruiz

  • Debate

24/09/2016: A construção do conceito autismo ao longo da história. Contribuição de Bleuler, Kanner e Asperger. Teses biológicas x teses dinâmicas.

  • A dinâmica perspectiva entre as décadas de 70 e 80 e contribuição da psicanálise.

08/10/2016: Apresentação de casos clínicos: “O caso Dick: Melanie Klein e “O menino lobo”: Robert e Rosine Lefort.

22/10/2016: Autismo na atualidade: Um modo peculiar de fazer a entrada no mundo, a recusa como uma defesa ao excesso do campo da linguagem.

  • A causa do autismo
  • Autismo e real: Balizas para a prática
  • Uma presença insistente: Os espectros do autismo.
  • Os sujeitos autistas, seus objetos e seu corpo.
  • Exemplo clinico: “A imagem e o imaginário: Quando o sujeito é excluído do imaginário materno e permanece sem a ajuda de nenhuma imagem estabelecida”. Susana Faleiro Barroso. Revista eletrônica do IPSM-MG. Almanaque n. 15

15/11/2016 – O trauma da língua

  • Reiteração do Um
  • Fazer calar a balbúrdia da língua
  • Falar, um acontecimento de corpo

19/11/2016: A letra e a prática entre vários

  • Atalhos para aprendizagem singulares
  • Espaços de jogo para a borda e a letra
  • Os registros da letra
  • Os nós do trauma.

3/12/2016: Conclusão: Os lugares do saber.

  • Breve apresentação escrita dos participantes da experiência do seminário e, da prática de cada um.

Coordenação: Marília Moreira e Fabiane Souza: Membros do CEPP.

Público alvo: Estudantes, profissionais da área saúde mental infantil e afins.

Investimento: Profissionais: a vista 350,00 ou 03 cheques de 120,00.  Estudantes: a vista 250,00 ou 03 cheques de 90,00.

Referências Bibliográficas:

  • Barroso, Susana Faleiro. A imagem e o imaginário: Quando o sujeito é excluído do imaginário materno e permanece sem a ajuda de nenhuma imagem estabelecida. Revista eletrônica do IPSM-MG. Almanaque nº 15
  • Laurent, Éric: A Batalha do Autismo: Da Clinica à Política. RJ: Zahar, 2014
  • Machado, Ondina e Drumond, Cristina(ORGS). O Autismo Hoje e o seus mal-entendidos.
  • Murta, Alberto / Calmon, Analícea/ Rosa, Marcia. (ORGS) Autismo(s) e atualidade: Uma leitura Lacaniana.

Dois livros:

  • Jerusalinsky, Julieta. Enquanto o futuro não vem: a psicanálise na clínica interdisciplinar com bebês. Salvador: Álgama, 2002.
  • Jerusalinsky, Alfredo (org.) Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage, 2015.

Textos para a discussão com a neurociências (teses biológicas):

  • Gonon, François. A psiquiatria biológica: uma bolha especulativa? In: Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage, 2015. p.198-229.
  • Giacobino, François. Considerações sobre a singularidade de cada autista. In: Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage, 2015. p.172-177.
  • Jerusalinsky, Diana. Etiologia das alterações do desenvolvimento: algumas hipóteses a partir das neurociências. In: Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage, 2015. p.178-197.

Sobre a Intervenção Precoce

  • Jerusalinsky, Alfredo. Indicadores de risco: como a psicanálise pode proteger os bebês. In: Dossiê autismo. São Paulo: Instituto Langage, 2015. p.418-435
  • Jerusalinsky, Julieta. Situandonanclínica com bebês. In: Enquanto o futuro não vem: a psicanálise na clínica interdisciplinar com os bebês. Salvador: Álgama, 2002. p. 21-45.

SEXUALIDADE e INCONSCIENTE: COMPILAÇÃO E COMENTÁRIOS (Aula 2)

*Compilação produzida pelo Prof. Amancio Borges das aulas ministradas pelo Prof. Dr. Guilherme Massara, na disciplina “Sexualidade e Inconsciente”, do curso de Doutoramente em Psicologia pela FAFICH\UFMG,  no primeiro semestre de 2015.

Segunda Aula: 13 de Março de 2015

Se, para Laplanche, existe uma sexualização da ou na pulsão de morte, para Lacan, toda pulsão é, preliminarmente, pulsão de morte.

Alenka Zupančič (2008) compreende que distorções subjetivas não são distorções de alguma coisa que é objetivamente outra, são distorções no lugar de alguma coisa que não é. Se uma estrutura deve ter-se como estável, certa hiância da estrutura[1], não como déficit, defeito ou sintoma imediatamente decorrentes, mas como propriedade de indeterminação produtiva, deveria ter lugar, pois pode conduzir a um ato clínico advertido para o ponto de fuga das classificações. Uma negatividade produtiva, com potencial para localizar a repetição e o real em toda sua importância para o tratamento.

Essa indeterminação, seja de um marco ontológico para a diferença sexual, seja para a definição de estrutura em sentido mais amplo, estrutura subjetiva, pode provocar sintomas, mas não ao modo de um automatismo reflexo, e sim, admitindo a conformação da estrutura a uma forma indispensável, exterior, que realoca o narcisismo.

Podemos supor que a realocação do narcisismo é o que dá sustentação imaginária às formas de subjetivação. Nas escolas contemporâneas, como se apresenta a relação entre forma de viver, forma de sofrer e forma de adoecer?

Estilos de subjetivação incluem formas de viver que não têm a ver, necessariamente, com anormalidade patológica, e sim com variações da normatividade.

Existem formas de vida (DUNKER, 2015), e somente por uma alguma decorrência contingente tais formas de vida chegariam a constituir sofrimento, mal-estar e sintoma. Os sintomas codificados pelos manuais não estão nesse nível de apresentação do mal-estar (forma de conviver), do sofrimento (forma de sofrer) e das formas de viver.

 

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A retração do sujeito no sofrimento já é uma forma de auto-preservação.

Nesse estágio, é comum o apego à ideação mística, a compulsões religiosas, a exortações públicas, protestos vexatórios, taquipsiquismo, aceleração global do psiquismo, sem que isso comporte uma doença em si. ´

Como exemplo, os chamados transtornos de personalidade que se tornam histerias radicais, não estão suficientemente definidos em seu funcionamento pelo código da CID-10 que compartilham[2].

Tais práticas estão ainda confusamente mescladas com adoecimento, mas se integram a formas de vida sem apelo ao Outro, em que a pessoa procura somente o primeiro contato do olhar, a divisão de uma respiração compartilhada pelo medo, a procura de que já não há mais, mas não espera nada mais de seu semelhante.

Nenhuma solução terapêutica, num momento em que o sujeito se dirige para o pior, pode conter a realização libidinal que consiste em contrariar a vida, por uma satisfação a mais.

Parte do inconsciente, regido pela pulsão, é indiferente ao estatuto do sujeito. Há inconsciente, por certo, mas não mais atrelado ao sujeito e a sua vida diária. Se não existe o inconsciente, senão na forma de uma lacuna do entendimento, neste ponto de nosso tempo, onde vivemos, a esperança de entendimento, de um esclarecimento consensual definitivo das causas, já foi deixada à porta muito antes do sujeito entrar no consultório

 

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A sexualidade é intrinsecamente sem sentido ou, com Lacan, fora do sentido, não comporta um horizonte final do sentido produzido pelo homem, ao risco de uma perspectiva teleológica, de uma Cosmovisão (Weltaschaüung).

O que um médico veria nisso? Imprevisibilidade mínima dos efeitos do curso da doença e da cura. Um psicólogo veria uma caixa vazia de amor, técnica mal executada, falta de alguma coisa que preencheria um buraco ou que desentupiria um cano —- a hipótese hidráulica do desejo, mencionada por Simanke como um excesso ou falta a serem “corrigidos”.

Algo mais seria preciso.

Para Freud foi importante recolher, das aberrações sexuais, o germe da sexualidade normal, confundindo a fronteira entre o normal e o patológico, pois era isto que sua clínica mostrava: havia uma diferença pulsional quantitativa a ser determinada, mas não só ela explicava a mutação qualitativa que o sintoma, ou sua decifração, acarretam para o sujeito.

A sexualidade humana é intrinsecamente inadaptadável; e, se somos afetados dessa forma por ela, seria por isso que existe o inconsciente, pretendendo assegurar uma base sensível à estrutura?[3]

A fonte da pulsão são os buracos do corpo, existentes ou factícios. A história da satisfação pulsional de cada sujeito do inconsciente é reconhecível na narrativa daquilo que cada um experimenta com seu corpo. Num primeiro estágio, o espelho é lugar de se ganhar corpo. Passo a passo, o modelo do espelho passa a ser identificado pelo olhar do Outro. Num segundo estágio, o olhar do Outro é colonizado por significantes, que agora decidem, tanto quanto a imagem do outro, a conformação de um eu-corpo[4].

Ainda que uma bissexualidade constitutiva se apresente de início, ela se mantém como definição negativa, como impossibilidade de totalização do campo da experiência. Ela não é inscrita enquanto tal como diferença irredutível, de estrutura.

Isso seria debatível, mas, para Freud, não haveria limite ontológico para a realização da pulsão. Os modos de satisfação da pulsão obedecem a fins transversais à saciação do instinto. A pulsão se desempenha da busca de satisfação por vários meios, mas seu funcionamento em termos de economia libidinal seria relativamente simples: uma força constante, diferentemente do instinto, episódico, que promove uma impressão particular em certos eventos, ainda não, que serão em seguida tratados por um banho de sentido, e  pretensamente capaz de satisfazer a demanda que emerge, a partir do momento em que o Outro, em substituição à mãe, comparece ao chamado da criança.

Temos, então, de um lado, saciação instintual, de outro satisfação libidinal.

Em certo momento, a dificuldade de se imaginar um sujeito para o qual certa negatividade ou indeterminação assumisse o papel de fundamento, faz com supor que a auto-preservação de uma unidade identitária recalca a bissexualidade. Se assim for, quais os efeitos da bissexualidade no inconsciente?

Persiste uma impossibilidade de totalização ou especificação da norma identitária. E todo um regime de identificações individuais é posto em ação nesse momento, como antecipado por Freud no capítulo IV da Psicologia das Massas.

 

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Lacan não predica o sexo, ele predica o gozo. O gozo, e não os sujeitos sexuados. Ele está menos interessado em como se conformam os sujeitos em classificações, do que no modo como eles sempre driblam as classificações em proveito de uma forma de viver que não implica, em momento algum, a forma pela qual o mundo vive ou a forma como os especialistas julgam que eles têm que viver. Talvez por isso que auto-escarificadores, neste momento, mostram as cicatrizes do ato de se cortar como fator de reconhecimento e identificação coletiva, algo a ser assimilável pela cultura como uma forma de vida, em parte como uma forma de sofrer, mas em nenhum aspecto como uma forma de adoecer.

Há uma incontornável passagem pela noção de sintoma, antes de chegarmos a toda a produção contemporânea do campo da psicopatologia.

Lacan predica o gozo entre um gozo fálico e um Outro gozo. Sob o impacto do conceito de gozo, a sexualidade se torna um ponto de referência de negatividade. A coincidência entre a satisfação e o prazer não se mantém na obra de Freud. Trata-se de montagens, arranjos não-totalizantes; potências de indeterminação e, como tal, não necessariamente sintomáticas, se o sintoma for considerado, imediatamente, sofrimento.

Modos de montagem e arranjo são modalidades de aparelhamento do gozo sensível.

A natureza preserva suas leis (como interessa a uma leitura das ciências duras) mas, em algum momento, ela é sensível às leis do significante. A função de auto-conservação se distingue da função de auto-preservação. Preservar serve para a espécie, conservar pode servir apenas a um.

A ciência da libido designa o fato de que toda satisfação determinada (pela necessidade) traz o risco de uma satisfação a mais, não-deteminada, contingente.

Há, de fato, certo paradoxo quando se trata desse real: é o indeterminado, mas retorna sempre ao mesmo lugar… O que lembra a afirmação de a posteriori de Zĭzĕk: em psicanálise, a causa é o que se introduz por seus efeitos.

Na perspectiva de Zupančič (2008), a libido seria entendida como uma satisfação disfuncional, par de uma sexualidade atópica e inessencial: o sexual não existe.

O sexual pode ser visto como um operador inumano: crítica explícita à racionalidade humanista, de seu método hermenêutico como totalidade racional do conhecimento da pulsão.

Foucault, Deleuze, Lyotard, problematizam o inumano.

No plano fonológico, o que se perde na passagem do humano ao inumano, é o “H” de “homem”, H de certa marca de alteridade normativa e complementar entre os sexos. Ney Matogrosso: “sou homem com H, e como sou!”.

O sexual como apropriação de um real sem lei é incongruente com qualquer abstração neutra de propriedades humanas.

Em Lacan, não há um conjunto que defina a mulher a partir de suas propriedades. O Outro sexo está não-todo submetido à ordem fálica. Mas, norma identitária e posição de gozo são termos distintos.  A sexualidade corresponderia a um universal não-totalizável que aponta para a inconsistência do Outro. Há uma espécie de cisão ontológica que, à primeira percepção, indicaria um sujeito irracional; mas não, trata-se na verdade de um sujeito lâmina, ou lamela, como mostra Lacan no Seminário XI. Da libido como energia, em Freud, Lacan parte para o órgão irreal. O laminular remete ao tissular. Até onde a torção necessária a se pensar o inconsciente pode forçar a substância material?

A substância existente perde algo ao entrar em contato com a necessidade da diferenciação sexual.  Um objeto extraído do campo do Outro instaura um Outro barrado [ A – a = A ]. Esse é o Outro para um grande número de pessoas, conhecidas por serem neuróticas das mais variadas formas Nas psicoses, o Outro recebe um tratamento diferenciado.

Na passagem da reprodução ao sexo, o sujeito perde uma parcela de seu ser. O ser do sujeito está no seu objeto —- uma parte do que me é mais próprio e que se encontra fora de mim.

O encontro entre as metades sexuadas engendra um plus.

A solda do gozo, ou da linguagem, fixa os objetos díspares, ou fixa a libido nos objetos. Para Freud, essa solda seria o eu, o Monarca Constitucional de O Eu e o Isso.

O plus do encontro sexuado, tem ou não a ver com o amor? Para Lacan, a própria angústia se torna signo da presença do objeto inconsciente. Em que medida esse desejo permite o recurso a um enamoramento, no caso, ao amor de transferência? Em certo momento, só o amor permite ao gozo condescender ao desejo. Se o desejo não é incompatível com o amor, ao contrário, poderia o gozo igualmente ser tolerante ou, em alguma medida, ainda abordável pela via do amor transferencial? Que recursos seriam precisos para tanto? Já se nota a dificuldade que representa, para o analista, tratar do amor como um conceito operacional

 

Conclusão

A psicoterapia incide sobre o caráter disfuncional da sexualidade, visando corrigi-la.

A sexualidade que concerne à psicanálise não é a sexualidade disfuncional, mas a sexualidade que não existe.

Essa versão do sexo, porém, tem um peso ontológico próprio. Não deve ser concebida como negação, suspensão ou transgressão da lei, mas, essencialmente, como contingência e potencial de encontro com o desejo.

Pode-se chamar esse inexistente objeto por outros nomes, mas sua propriedade central ainda resiste a denominações e permanece como uma indeterminação, um impossível de se representar pela via da palavra.

A indeterminação que funda a falta de uma equidade sexual seria o que constitui a necessidade de uma estrutura, para dar nomes, identificar, reduzir essa indeterminação.

Entre os nomes que doamos a essa indeterminação fundamental, quantos não confluem para as categorias diagnósticas da doença mental?

A época em que o pai determinava o que era um corpo, para um menino, menina, homem, mulher, parece ter se exaurido e, assim, transferido grande importância, não à designação do corpo por um pai, mas à nomeação do pai por meio de um corpo.

 

O que um retorno à histeria poderia causar seria menos danoso do que continuar a empurrar a histeria para o domínio dos transtornos de personalidade. Quando se cai ali, não se sai jamais. E nenhum esclarecimento se tem sobre o modo de funcionamento pulsional desse alguém em particular.

 

Quando Lacan aponta no pai um sintoma como outro qualquer, que conseqüências isso tem para a clínica? Nossa cegueira não permite ver outro princípio orientador; estamos condicionados. Obnubilados, não nos eximimos de considerar que tanto na esquizofrenia como na mania e outros fenômenos, qualquer fronteira entre tipos classes, estruturas subjetivas ou clínicas é contestado. Que confinar a histeria nos transtornos de personalidade, não fornece o modo de funcionamento a partir do qual mudar o comportamento. Nesse nível, estamos ainda na análise funcional do comportamento. Não saímos da lógica intersubjetiva, por mais que esta procure interpor a superação da relação eu-outro.

Nota

A indiferença do criminoso em relação à loucura mudou: atualmente, ele passou a ter interesse nos diagnósticos de saúde mental. Sob restrição de liberdade, o sujeito em conflito com a lei passa a ter volúpia por relatórios de saúde mental. Em certas localidades dos EUA, foragidos da justiça não podem ser retirados de clínicas de internação para drogas, para fins do processo penal. Não apenas o criminoso, mas o mais humilhado dos afastados por doença também se aproxima dos técnicos de saúde mental em busca de laudos; aqueles técnicos, por sua vez, lidam com vácuos na assistência, “buracos” em que vidas se esvaem nas filas, vilas, favelas e presídios. Como  dissemos, o aumento da procura por afastamento médico ou psicológico em casos prevalentes de transtorno de personalidade (CID-10), nos serviços de saúde mental, já se impõe como importante objeto de estudo. O fato é que entre os transtornos de personalidade, nenhum preenche critério de afastamento por doença mental. Em sua maioria, são pessoas colhidas em algum déficit de acolhimento (déficits de reconhecimento social), mas não só dos serviços de saúde, já que, a essa altura de desagregação, vários elos da rede comunitária já haviam faltado. Nossa hipótese é de que esses transtornos, na maioria das vezes, constituem mais desvios de uma norma ou da defesa social, do que patologia mental.

Referências Bibliográficas

DUNKER, Christian. Sintoma, sofrimento, mal-estar. São Paulo: Boitempo, 2015.

FOUCAULT, Michel. O nascimento da clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1977.

ZUPANČIČ, Alenka. Sexualidade e ontologia. In: Rev. Estudos Lacanianos. Belo Horizonte (MG). V. 1, n. 2, jul-dez de 2008, pp. 311-326.

[1] “A estrutura, portanto, é real. Em geral, isso se determina pela convergência para uma impossibilidade”. É por isso que é real” (LACAN, J. O Seminário, livor XVI: De um Outro ao outro… Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., [1968-1969] 2008, p. 30).

[2] “A psicanálise de hoje não tem outro recurso senão a histérica que não está na moda: quando a histérica prova que, virada a página, ela continua a escrever no verso, ninguém compreende” (LACAN, Idem, p. 146). Ou seja, a histeria não apenas “subverte” a neuroanatomia, mas também mostra facilidade de adaptação —- complacência somática —- a sintomas de outros.

[3] Tese atribuída a Zupančič (2008).

[4] Se agora nos dedicarmos a considerar a vida mental de um ponto de vista biológico, um ‘instinto’ nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo” (FREUD, S. Ariigos sobre metapsicologia – Os instintos e suas vicissitudes (1915). In: ______. Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, v. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1974, p. 142.

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